“Eu voltei pro jogo. Estou vivo. Se não der agora, será daqui dois anos” diz Delcídio do Amaral

Em entrevista à Rádio Diamante FM, no programa “Bronca do Eli”, ex-senador faz autocrítica admitindo que errou ao acreditar em Reinaldo Azambuja e na “turma do já ganhou”

Ex-senador Delcídio do Amaral retorna ao cenário político com candidato a senador pelo PTC _ Tião Santana

Jota Menon

Com a alma lavada. Assim está se sentindo o ex-senador Delcídio do Amaral (hoje no PTC) que, depois de passar por um verdadeiro inferno astral que culminou com a cassação de seu mandato, foi inocentado de todas as acusações que lhe foram imputadas e se prepara para voltar ao Senado por meio do voto popular. Com a candidatura ao Senado da República, pelo minúsculo PTC, registrada no Tribunal Regional Eleitoral, Delcídio visitou a Redação de Impacto na última sexta-feira e concedeu entrevista exclusiva ao radialista Eli Sousa, no programa “Bronca do Eli” na Rádio Diamante FM.

De cara Delcídio foi questionado sobre como foram os dois anos e meio pós-cassação e ele taxou como período como “dificílimo”, porque “as portas se fecham e você cai na real de que saiu do céu direto para o inferno”. Para Delcídio, além dessa realidade cruel vem o problema familiar. “A família sofre na mesma proporção e nessa hora é que você descobre onde estão os verdadeiros amigos e quem são as pessoas que estavam ao seu lado, mas, apenas por interesses pessoais”.

Delcídio relatou que o que o ajudou muito a enfrentar o problema da cassação e do abandono por parte de “muitos amigos” foi a sua formação religiosa. “Sou católico praticante e tive o apoio excepcional dos evangélicos. Isso me ajudou a resistir até a chegada da absolvição. Resgatei a minha honra” brada o agora candidato a senador da coligação “Amor, Trabalho e Fé”.

Delcídio enfatiza que não deve mais nada a quem quer que seja. “Fui o político mais investigado desse país. Agora, inocentado pelo Supremo Tribunal Federal, eu voltei pro jogo. Estou vivo. Se não der agora, vai ser daqui dois anos. Daqui a quatro anos. Não importa, porque quem tem de ganhar é quem está na campanha há anos” afirma em tom de quem está de bem com a vida e pouco preocupado com uma possível não-eleição no atual pleito eleitoral.

ELEIÇÃO PERDIDA – Ao comentar a eleição de 2014, quando chegou a ter 70% de preferência do eleitorado nas pesquisas de intenção de votos e acabou perdendo o pleito parta o atual governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Delcídio do Amaral fez uma autocrítica e admitiu que cometeu uma série de erros, a começar por acreditar na possibilidade de disputar a eleição para o governo com Reinaldo candidato a senador.

Ele admite que carregou o então deputado federal Reinaldo Azambuja a tiracolo, dando-lhe a projeção que ele não tinha, ou seja, transformando-o de um desconhecido parlamentar a um candidato em condições de vencer a eleição, como acabou vencendo.

Mas, Delcídio admitiu, ainda outros erros na campanha de 2014 quando, reconhece, esteve cercado, inclusive, de traidores infiltrados na sua campanha pelos seus concorrentes. “Eu gravava um programa com determinadas propostas para ser veiculada dois dias depois e antes de meu programa ir ao ar o adversário colocava algo idêntico no ar, matando o meu programa” disse o ex-senador. “Em síntese, tudo o que discutíamos numa reunião, pouco depois já havia sido vazado para o meu concorrente” reconheceu.

 

Outro erro, segundo Delcídio, foi a soberba. “Nós achávamos que ganhávamos no primeiro turno e não ganhamos, até porque havia uma grande rejeição ao meu partido da época, o PT” diz e admite que o clima do já ganhou também influenciou negativamente. “Devo admitir que veio a soberba e eu deixei me levar pela turma do já ganhou” explanou Delcídio que até hoje ainda é o senador mais votado da história do Mato Grosso do Sul, com os mais de 800 mil votos obtidos na eleição de 2012.

SENADOR DE TODOS – De uma coisa Delcídio do Amaral não se arrepende: de ter se constituído no “senador de todos” pela sua forma de atuar no Senado Federal. “Eu ajudei muita gente, ajudei os municípios do meu Estado e ajudei o meu país”.

Durante os 11 anos em que esteve no Senado, Delcídio considerado um dos políticos mais influentes do Brasil e, como senador, conseguiu repassar quase 2 bilhões em investimentos para municípios sul-mato-grossenses, beneficiando inúmeros segmentos da sociedade.

Ainda hoje, várias prefeituras municipais estão executando obras graças a recursos de suas emendas parlamentares. “Andamos nos municípios do Mato Grosso do Sul, hoje, a ainda vemos obras de emendas minhas apresentadas há mais de três anos e que agora estão em andamento” relata.

“Esta foi a minha postura ao longo dos mais de 11 anos que estive no Senado: fazer um mandato generoso, de estender a não. Não importa qual o partido, porque nosso compromisso é com a população” diz ao reconhecer que o bom político tem “postura partidária dentro da política nacional., No estado, tem de olhar para todos e ser, como no um caso, o senador de todos”.

Delcídio admite que ainda tem muita coisa a fazer pelo Estado e pelo país, não apenas como político, mas como cidadão. “Sou engenheiro, comandei grandes empresas brasileiras e multinacionais. Andei pelo mundo. Tenho vasta experiência e quero usá-la em favor do meu Estado e do Brasil”.

RETORNO – Sobre seu retorno ao meio político, Delcídio do Amaral disse que ficou impressionado com a receptividade. “Fiquei dois anos fora. Fiquei quase todo esse tempo no Pantanal, na região de Jacadigo, em Corumbá, onde nossa família tem propriedade e ao retornar as pessoas me tratam muito bem com muito respeito, muita atenção”.

O ex-senador diz que estas manifestações o deixam feliz. “Nas ruas as pessoas vêm conversar, tirar self. É o sentimento de que fui inocentado, enquanto a malandragem está aí presa, investigada, gente carregando mala de dinheiro. As coisas estão distorcidas. Um preso fazendo campanha. O outro com sobrinho dando sumiço em dinheiro e ele não via nada” comenta.

Nesse ponto ele comenta um pouco da política nacional e admite que do jeito que a coisa anda, não sabe onde o atual processo vai parar. “Vivemos um momento de judicialização da política. O que aconteceu em MS nos últimos 60 dias? Fatores externos. Um ex-governador preso, que liderava as pesquisas. Agora, o atual governador também judicializado. Uma incerteza danada. O povo, apesar contar com muita informação, acaba não sabendo o que está acontecendo de fato”.

Sobre o cenário nacional, ele também reconhece que é uma situação muito complicada. “Ganhar a eleição é uma coisa. Governar, são outros quinhentos” admite ao ver que o “fenômeno Collor” pode se repetir, ou seja, um presidente ser eleito sem qualquer base no Congresso Nacional.

CORUMBA 240 ANOS – Finalizando, Delcídio do Amaral dirigiu algumas palavras de carinho à sua cidade natal, Corumbá, que na última sexta-feira, 21 de setembro, completou 240 anos de fundação.

“Parabéns à minha querida Corumbá, cidade que é referência não só para o Mato Grosso do Sul, mas para todo o Centro Oeste e para o Brasil. Temos muito orgulho de viver num dos biomas mais extraordinários do mundo. Temos orgulho da nossa história e da nossa cultura. A história de Corumbá se confunde com a história do Brasil” afirma o corumbaense orgulhoso de tudo o que Corumbá no cenário nacional.

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