Após reunião com Vander e Rose, indígenas aceitam acordo e anunciam desocupação do Dsei

Na manhã desta sexta-feira (18), os deputados federais Vander Loubet (PT) e Rose Modesto (PSDB) se reuniram em Campo Grande com lideranças e representantes dos indígenas que ocupam a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) por não concordarem com a troca de comando do orgão em Mato Grosso do Sul. O objetivo foi chegar a um acordo para atendimento de reivindicações e consequente desocupação do prédio.

Os indígenas defendiam o retorno de Fernando Souza como coordenador distrital de Saúde Indígena, após o governo federal substituí-lo por Eldo Elcidio Moro. No entanto, Vander foi franco com as lideranças e explicou que não há como isso acontecer.

“Isso é uma decisão do governo federal e não tem volta. O Eldo é uma indicação da bancada do PSDB que é aliada ao governo. Se não for ele, será uma indicação da bancada do PSL, o que seria muito pior, já que o partido do presidente afirmou publicamente por diversas vezes o seu desprezo pelos povos indígenas”, apontou o deputado petista. “Chamei essa reunião junto com a Rose porque conversamos em Brasília e sinto que é possível a gente construir um diálogo e um programa de trabalho com o novo coordenador, algo que dificilmente aconteceria com um indicado do PSL”, ponderou.

Rose Modesto se defendeu da acusação de que seria uma ação sua a substituição do comando do Dsei. “O Eldo é uma indicação da bancada do meu partido. Eu avalizei porque o conheço, ele já trabalhou comigo quando fui vice-governadora. É um historiador, professor, tem conhecimento das causas sociais”, explicou. “É como o Vander falou, se não for ele, será outra pessoa, uma pessoa que pode não ter a abertura que o Eldo tem”, reforçou.

Diante da queixa dos indígenas de que Eldo não é indígena e de que sua nomeação não passou por nenhuma consulta às lideranças das aldeias do estado, Vander e Rose reconheceram que a forma como o governo federal procedeu na ocasião não foi adequada, mas pontuaram que o momento que o Brasil atravessa é difícil e, por isso, o melhor caminho é o de construir um acordo para que o Dsei possa atender os indígenas da melhor forma possível, independente de quem está no comando.

Vander e Rose propuseram aos indígenas um acordo para a resolução do impasse: aceitar a nomeação de Eldo, com o compromisso dos deputados de unir esforços com o novo coordenador para que o Dsei abrace as pautas dos indígenas.

“Sabemos que os desafios e dificuldades são grandes. Mas vocês podem ter certeza que estamos comprometidos com vocês”, destacou Vander aos indígenas. “Inclusive ontem (17), a Rose e eu conseguimos junto com a bancada a inclusão de uma emenda coletiva de R$ 5 milhões em 2020 para o Dsei reformar postos de saúde de aldeias e executar obras de abastecimento de água onde há essa demanda”, completou o petista.

A deputada tucana informou ainda aos indígenas que está buscando apoio de parlamentares de diversos partidos e do Ministério da Saúde para o retorno de uma das diretoras da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) – Regina Célia de Rezende – que recentemente foi exonerada. “A Regina é conhecida do Vander e era uma pessoa muito importante na Sesai para nós de Mato Grosso do Sul. Estamos trabalhando para que possamos voltar a contar com ela”, afirmou Rose.

Após a reunião com os parlamentares, o grupo de lideranças retornou à sede do Dsei para uma assembleia interna dos indígenas. Após debate e ponderações, os indígenas decidiram aceitar a proposta dos deputados e anunciaram o retorno às aldeias. A informação foi confirmada por Dionedison Terena, liderança indígena e assessor parlamentar de Vander, que acompanhou a assembleia.

Na pauta defendida pelos indígenas, um dos principais pontos é a reivindicação pela criação de mais um Dsei em Mato Grosso do Sul. As lideranças das aldeias argumentam que apesar de o estado concentrar a segunda maior população indígena do País, Mato Grosso do Sul conta com apenas um Distrito Sanitário Especial Indígena, o que dificulta a ação e o trabalho do órgão. De acordo com eles, estados com populações menores são mais bem atendidos, caso do Mato Grosso (com seis distritos) e Pará (também com cinco distritos).

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