Uma parceria entre a Subsecretaria de Políticas para a Juventude, da Prefeitura Municipal de Campo Grande, e a Association Internationale des Etudiants en Sciences Economiques et Commerciales (AIESEC) está permitindo que jovens de países sul-americanos tenham contato com a realidade de atendimento as pessoas pelos órgãos públicos e Organizações Não Governamentais (ONGs) da capital sul-mato-grossense que atendem desde crianças carentes até pessoas com mobilidade reduzida. Ao todo, 16 jovens, oriundos da Argentina, Peru, Equador e Colômbia, estão fazendo trabalhos voluntários que promovem o desenvolvimento social e a liderança.

Atualmente, dois jovens, um do Peru e um da Colômbia, estão realizando atividades no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do Bairro Aero Rancho e a Subsecretaria está dando todo o suporte para que os intercambistas possam se deslocar entre a unidade e a casa onde estão hospedados. Além disso, o órgão público também está fechando parceria com outras instituições para que eles possam ter acesso a novas realidades.

“Está sendo uma troca de experiências muito gratificantes para todos os lados. Essa parceria está permitindo que conheçamos também outras realidades. É importante destacar que cada país tem sua característica e vemos o quanto isso está sendo difundido pelos intercambistas”, disse o subsecretário de Políticas para a Juventude, Maicon Nogueira.

Durante seis semanas, os jovens conhecem a estrutura das unidades, a forma de acolhimento e têm a oportunidade de transmitir o conhecimento e a cultura deles para as crianças e adolescentes do local.

Para a peruana Maryori Brigitte Villanueva Aguirre, de 23 anos, formada em odontologia e estudante de enfermagem, a viagem está fortalecendo a experiência na área da saúde. “Hospedei uma brasileira em minha casa e ela me contou sobre o Brasil e sobre a AIESEC. E vi que isso poderia ser uma forma de ampliar os conhecimentos para atuar na minha área”, disse. Ela ainda disse que no local onde mora, ela trabalha em uma instituição que cuida de crianças com câncer ou que perderam as mães e não tem o suporte familiar. “As crianças precisam se comportarem como crianças para que não sigam os exemplos dos pais, que muitas vezes estão presos ou envolvidos com crimes, principalmente tendo mais respeito”, destacou.

Já Henry Alejandro Vasquez Avila, colombiano de 21 anos, estudante de Química e professor de dança, disse que a realidade entre os país de origem e o Brasil são bem parecidas, mas fez um alerta destacando que seria preciso ampliar o acesso de crianças e adolescentes nestas unidades. “Vimos que são poucos os recurso e as crianças. Poderia ser feito um trabalho bem maior”, disse.

A intercambista Bibiana Echeverri Ríos, da Colombia, que já participou do programa em Campo Grande atuando no Lar do Pequeno Assis, disse que gosta de trabalhar com as comunidades, fazer inventários de riscos e vulnerabilidade e encontrar meios de ajudar as pessoas.

“Vi esse programa porque falou sobre educação e qualidade e também acho que a educação é o progresso de uma nação e também gosto de trabalhar com crianças. É óbvio que é melhor trabalhar com crianças do que com pessoas grandes, as crianças têm uma mente mais aberta à medida que as crianças veem o mundo de maneira diferente , eles aprendem, eles estão interessados. Eu também gosto de muitas crianças, animais e do Brasil e aprendo um novo idioma e conheço um país tão grande”, disse.

A escolha da cidade pelo equatoriano Diego Adrian Muñoz Quiroz, formado em engenharia civil, foi motivada pelo projeto apresentado pela instituição e a parceria com a Subsecretaria. “É bom que o poder público se desenvolva e eu quis ajudar com o voluntariado”, destacou.

Somente neste ano, segundo o presidente do Comitê Local da AIESEC, Rian Hardoim Santullo, mais de 80 jovens brasileiros estão cadastrados para serem enviados para outros países. Atualmente, 24 pessoas estão realizando um trabalho voluntário em várias localidades pelo mundo. “São voluntários que possuem um impacto social visível na sociedade. Além disso, também atuamos com empresas para que possamos internacionalizá-las e promover uma multicultura”, explicou.

Aulas de Idioma

Para melhorar a comunicação entre os intercambistas e as empresas e instituições onde eles estão atuando, a Subsecretaria de Políticas para a Juventude também está oferecendo aulas de português. Durante duas vezes por semana, os estudantes se encontram na sede do órgão público e participam de atividades e estudos da língua portuguesa.

A parceria com a professora permite que os estudantes interajam melhor e aproveitem mais a oportunidade de conhecer a realidade brasileira. Desta forma, permite-se que haja uma maior imersão dentro das ações, facilitando o conhecimento e abrindo novas portas.