Em entrevista exclusiva á Rádio Diamante FM, ao programa “A Bronca do Eli”, com o jornalista Eli Sousa, Dr. Luiz Ovando, médico atuante, Cardiologista e Clínico Geral, responsável pelo Programa de Residência dos Médicos na Santa Casa, e Coordenador da Coreme, Comissão de Residência Médica da Santa Casa, fala sobre a medicina e o trabalho realizado por ele na Capital.

“Eu tenho mais de 40 anos e sempre que alguém fala sobre isso eu digo, que tive uma experiência no meu consultório, uma paciente me perguntou quantos anos eu tinha e eu sempre devolvo a pergunta, teve pessoas que já me deram 85 anos e eu penso, ‘ puxa eu devo estar muito velho’, mas continuei escrevendo, aí eu disse a minha idade, tenho 68 anos, e ela disse ‘nossa’, quis consertar as coisas. Mas temos que manter uma definição do que na verdade você representa em um contexto, 40 anos ou mais de medicina, para os remédios é sempre uma coisa do tipo, passou. Ser médico durante tanto tempo, você tem que estar disposto a buscar atualizações, mais os fundamentos e os conceitos continuam sendo os mesmos. É isso que tem que preservar infelizmente esse desvirtuamento, é que as pessoas se encantam com o novo, porém não pode deixar de se especializar, o novo não descarta experiência”, aponta.

A saúde continua em estado de coma, para isso é preciso buscar uma solução para o caos na saúde, “A saúde é uma via de duas mãos, quando você vai se reportar a uma constituição de 1988, a lei diz que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, mas você não consegue ter saúde única e exclusivamente com o Estado provendo, é preciso ter instrução, mas aí o Estado entra no processo de esclarecimento, então nós, por efeito e por ação de multinacionais, nós somos um país, quer queira quer não, de iniciativa privada, capitalista, as empresas vem para ganhar dinheiro e elas ganham, elas fazem o jogo, e isso significa que é preciso ter instrução para que se cuide da própria saúde. Nós deixamos todos esses direitos e princípios, abraçando a área tecnológica, porém, não é equipamento, não é avião, que vai resolver o problema, o problema se resolve com esclarecimento, com retirada de dúvidas, a população buscando esclarecimento e o Estado provendo informações”, diz.

“Saúde é um saco sem fundo, a indústria evolui, porém o médico tem equipamentos que não servem mais, porém, você atualizando os documentos, não quer dizer que você deva parar de usar os aparelhos antigos. Com a experiência você adquire o olho clínico, mas isso não quer dizer que não se deva fazer os exames, a medicina é uma profissão que precisa estar em constante estudo e trabalho, nenhuma profissão você aprende só na teoria, ou só no trabalho, as duas coisas se completam”, enfatiza Dr. Luiz Ovando.

Para o Dr. Luiz Ovando, o verdadeiro problema da Santa Casa é, “atualmente temos o Dr. Esacheu Nascimento fazendo uma boa administração do hospital, fez uma auditoria, fez um levantamento e está realizando um ótimo trabalho. Mas sabemos que até pouco tempo, talvez há uns 6, 8 meses atrás,  o seu orçamento dependia em torno de 95 a 97% do SUS, mas você sabe que se você fatura R$ 100 reais, você recebe R$ 60, mas não é que o SUS desconta, é que o valor é pequeno e a Santa Casa sempre teve voltada a questões políticas, ela entrava em uma crise e antes não havia acompanhamento, hoje existe um acompanhamento muito próximo, e aquilo que não produz tem que ser reduzido e aquilo que produz tem que ser reavaliado. A Santa Casa está começando a melhorar em questão de orçamento, mais ainda tem um déficit muito grande, não vai resolver da noite para o dia” enfatiza Dr. Luiz Ovando.

Em ano de eleição, Dr. Luiz Ovando fala sobre a sua pré-candidatura a deputado federal, “Saúde é promessa de todo e qualquer político, eu não vou fazer diferente, mas eu faço as propostas porque eu conheço o problema e sei o que vou falar, o que vou fazer e como chegar lá. Uma das propostas é não gastar demais desnecessariamente, o individuo tem uma dor e procura um especialista referente a dor que sente, fui procurado como um especialista e eu preciso descartar a hipótese diagnóstica que fez ele procurar aquele especialista, então o especialista encaminha para outro médico, muitas vezes sem avaliar direito, aí chega no outro médico e este pede diversos exames e aí não aparece nada referente aquela especialidade e no final o médico diz que pode ser clínico e o paciente acaba fazendo o caminho inverso, então a proposta é resgatar o médico Clínico, porque não temos essa especialidade, se você procurar não temos. Existe um programa nacional de médico de família, mas o governo não valoriza, então os médicos fogem dessa área. Precisamos de estímulo do governo para que os médicos se especializem, busquem estudar, busquem aperfeiçoar uma área”, enfatiza.

“Fui candidato mais de três vezes e o que acontece, os mandantes, os donos do poder não gostam de quem pensa. Então quando você chega e muda o caminho com conhecimento de causa, você ameaça o sistema, então se eles têm o poder econômico na mão, para que eles vão investir em alguém desse tipo? Com as mudanças vamos passar para a política de valores, princípios e fundamentos, e eu quero crer que a população compreenda isso”.

Dr. Luiz Ovando é filiado ao Partido Social Liberal (PSL), que tem como Pré-candidato a presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, “Vou te dizer que até o momento o partido não está com ninguém, a orientação nacional e o nosso pré-candidato é o Jair Bolsonaro, e todo mundo o conhece após 8 mandatos como deputado federal, ele lidera aqui e em muitos lugares e a imprensa não deixa aparecer isso, na tentativa de que ele não se eleja, porque é uma conexão com o passado, com a corrupção, etc,” fala pré-candidato.

Corumbaense, médico, pré-candidato a deputado federal pelo PSL – Partido Social Liberal, Dr. Luiz Ovando, “Campo Grande é o reduto que eu sou conhecido, claro que atendo pessoas de todo o Estado pela medicina, e é claro que essas cidades onde houver um pouco mais de atenção e houver condições de estarmos presentes, estaremos viajando para nos apresentar”.