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Solenidade de comemoração aos 118 anos da Capital destaca artesanato campo-grandense

O tradicional evento de solenidade de outorga de Títulos de Cidadão Campo-Grandense, Cidadão Benemérito e Medalha do Mérito Legislativo, em comemoração aniversário da cidade foram realizados nesta quarta-feira (23), com tema “Artesanato: expressões de cultura e história de Campo Grande”, no Palácio Popular da Cultura – Centro de Convenções Ruben Gil de Camillo.

A sessão solene homenageou o artesanato campo-grandense que retratam o cotidiano da cidade por meio de entalhes de madeira, figuras de barro e tantas outras expressões culturais.

O primeiro ícone do artesanato campo-grandense é o “bugrinho”, esculpido originalmente na mandioca, criado pela artesã Conceição dos Bugres (Conceição Freitas da Silva) o qual hoje é produzido pelo seu neto Mariano Neto. Para o artesão, “Desde os 18 anos comecei a ficar apaixonado pelo bugrinho. Não quero parar de fazer”, diz Mariano.

O artesão Antônio Ricci faz entalhes em madeira, retratando fauna pantaneira, como jacarés e tatus. Segundo Ricci, “A gente morava na fazenda, trabalhando. Quando fui pra cidade e vi uma pessoa fazendo esse trabalho, ali eu descobri o que eu queria fazer na vida. Produzo esses bichos do pantanal em madeira, pedra, todo que é tipo de coisa. O artista é escravo dele mesmo, porque trabalha de dia e de noite, mais de noite porque ele pensa muito, daí vem a inspiração e ele quer saber de fazer aquilo que ele pensou”, destaca o artesão.

Os artistas populares retratam uma geração que marcou época na história de Campo Grande. Na década de 70 e 90 surge uma nova geração de artesãos cheia de vida, decidida a ampliar o espaço das artes na Capital.

A artesã Indiana Marqueso trabalha há 30 anos com artesanato e criou uma boneca que retrata toda beleza e originalidade da mulher indígena. De acordo com Marqueso, “Já são 30 anos de artesanato, trabalhando com artesanato. Sendo 25 anos que trabalho com essa boneca que eu inventei, para representar nossas índias aqui do Estado, porque elas têm esse hábito de vender legumes, caju, gravira. Fiz uma representação da figura feminina indígena, a mulher que sustenta a família, a prole dela, fez essa representação”, destaca.

Já o artesão Cléber Brito, que produz onças em barro, o artesanato é um ofício de família, passado de pai pra filho. “Virei artesão através do meu tio Julio César, ele começou com esse artesanato. Desde 1994 eu peguei e comecei a fazer e isso se tornou minha fonte de renda. A família toda faz o artesanato, a gente trabalha em casa”, diz.

Nos 118 anos de Campo Grande, a Câmara Municipal incentiva à reflexão sobre a importância da arte popular e do artesanato, que além da aparência que encanta, retratam com sensibilidade um olhar sobre a própria vida do campo-grandense.