Eleito deputado federal mais votado na eleição de 1982 pelo PMDB, Sérgio Manoel da Cruz, ou simplesmente “Pau na Mula”, cumpriu mandato até 15 de março de 1987 e saiu da vida política a não conseguir a reeleição já no PDT.

Já se vão 31 anos desde que ele cumpriu o mandato de deputado federal, depois de cumprir dois de deputado estadual, um pelo Mato Grosso uno e um pelo Mato Grosso do Sul. Agora ele quer voltar – e tem tudo para se eleger – e ser, aos 76 anos de idade, a cara nova que a Assembleia Legislativa tanto precisa.

Nesta quarta-feira, 11 de julho, Sérgio Cruz visitou a Redação de Impacto e foi entrevistado pelo radialista Eli Sousa, no programa “Bronca do Eli”, na Rádio Diamante FM, oportunidade em que ele contou um pouquinho de uma carreira radiofônica, jornalística e de escritor que o tornou uma lenda nos meios de comunicação, e na política também.

Natural de Salgueiro, no Estado de Pernambuco, Sérgio Cruz tem orgulho de sua condição de nordestino. E, como bom brasileiro, ama futebol e vai logo soltando que é salgueirense (torcedor do Salgueiro de sua cidade natal) e santista, em nível nacional.

Chegou a Mato Grosso do Sul nos idos de 1960, estando, portanto, há 58 anos convivendo com os mato-grossenses e, agora, sul-mato-grossenses. “A minha primeira cidade foi Vicentina, onde trabalhei 18 anos na roça para, depois, começar a minha vida na Rádio de Dourados” relata Sérgio Cruz.

Posteriormente, Sérgio Cruz foi para Cuiabá trabalhar na Rádio Voz do Oeste. “Depois vim para Campo Grande, para a Rádio Difusora, que foi a da primeira emissora de rádio implantada no Estado. Aliás, quando cheguei a Campo Grande havia apenas duas rádios apenas, a Difusora e a Cultura. Só depois veio a Rádio Educação Rural”.

Sobre a sua carreira política, Sérgio Cruz destaca que o início da sua jornada se deu a partir de um convite do então vereador de Campo Grande, Valter Pereira de Oliveira isso lá no ano de 1973. “Eu me filiei no MDB. Em 1974, por força da conjuntura, eu estava muito popular no rádio, onde eu fazia o programa “Pau na Mula”. Então, o Valter resolveu lançar a minha candidatura a deputado estadual. Eu seria o candidato dele. Mas, na convenção em Cuiabá, nós notamos que estavam faltando nomes para completar a chapa e, como se não atingíssemos o coeficiente eleitoral (a legenda) não elegeríamos ninguém, resolvemos lançar o Valter Pereira também a deputado estadual. Saímos eu e ele e vencemos a eleição”.

Depois de cumprir o mandato de deputado estadual entre 1975 e 1978 pelo Mato Grosso, Sérgio conta que se elegeu deputado estadual Constituinte pelo Mato Grosso do Sul, ou seja, ele foi um dos 18 deputados estaduais que integraram a primeira Legislatura da Assembleia Legislativa do novo Estado e que escreveram a primeira Constituição Estadual.

Com o retorno das eleições diretas para governador, em 1982 saiu candidato a deputado federal já pelo PMDB (que havia ganhado o P e que agora perdeu de novo, voltando a ser MDB) na chapa que elegeu Wilson Martins e Ramez Tebet ao Governo do Estado. Foi o mais votado dentre todos os candidatos ao cargo na época.

Sobre o apelido “Pau na Mula” que carrega consigo há quase meio século, Sérgio Cruz, relata que usava afirmar sempre no final do programa a frase: “Fé em Deus e Pau na Mula”. A frase, segundo ele, acabou fazendo sucesso na época e se tornou uma espécie de sinônimo de Sérgio Cruz, pois, quem conhece política em Mato Grosso do Sul sabe quem é o “Pau na Mula”.

CAMPANHA NO CAIXOTE – Outro fato pitoresco que diferenciava Sérgio Cruz dos candidatos tradicionais é que ele fez campanha eleitoral literalmente “em cima de um caixote”. Ele recordou no programa que, como estava “sem recursos para fazer grandes comícios, eu reunia as pessoas e fazia os pequenos comícios em que acabou pegando o apelido ‘Pau na Mula’ e acabei me elegendo”.

Eleito deputado estadual em 1974, Sérgio Cruz, em plena Assembleia Legislativa de Mato Grosso, defendia a divisão do Estado, embora ela admita que não conhecia sequer a história do Estado e então começou a estudar sua história a ponto de hoje algumas pessoas o intitularem historiador. “Tenho cinco livros publicados, mas tenho um em especial que conta a História de Mato Grosso do Sul em datas. Eu considero que você só ama aquilo que você conhece. Eu parto desse princípio de incluir no currículo escolar a história do Estado e de seus municípios para que essa História seja conhecida pelas crianças”, diz.

Como deputado apresentou vários projetos, entre eles, os cursos noturnos em escolas federais e universidades federais e com a mobilização da UNE {União Nacional dos Estudantes} ele conseguiu otimizar os espaços das universidades. “Outro projeto que continua atendendo a população foi a criação da Universidade Federal da Grande Dourados que, depois que venceu o meu mandato, me rendeu um título de Cidadão Douradense. Eu consegui meus méritos depois de candidato, Além deste, tenho também o título de Cidadão de Novo Horizonte do Sul” relata o jornalista.

Sérgio Cruz é um político que sempre esteve à frente de seu tempo. Para se ter uma ideia, antes mesmo do surgimento do PT ele já lutava pelo direito do trabalhador rural, pela agricultura familiar, porque, como mesmo conta ele, foi trabalhador rural por 18 anos.

“O Projeto Canaã, lá em Bodoquena, foi uma das minhas lutas. Minha pretensão era dar ao produtor rural o direito de trabalhar e com o meu trabalho parlamentar consegui alguns projetos entre eles, o Novo Horizonte do Sul, projeto Casa Verde, o Guaicurus, em Bonito, Tamarineiro, em Corumbá, e São José do Jatobá em Guia, Lopes da Laguna”.

Com relação às mudanças no mundo político, Sérgio Cruz aponta o ‘encarecimento’ das campanhas eleitorais. “O que mudou do meu tempo para agora foi o fato de que, na minha época, fazíamos o mandato com uma zabumba e hoje precisamos de uma orquestra para gerir o mandato”. Para Sérgio Cruz, o mandato, na atualidade, está muito caro. “Foi isso que mudou, mas, acredito que é possível se fazer um mandato simples, utilizando o mínimo de recursos humanos e o máximo de criatividade. Mudou na profissionalização. No meu tempo era feito muito mais como missão e não como profissão”.

Sérgio Cruz fala esperançoso sobre a conscientização popular com relação à política. “Hoje o cenário apresenta nuanças de mudança, pois, começa a haver uma maior conscientização da sociedade, graças às ações da justiça, do Ministério Público”. Isto, segundo ele, tem acarretado a volta de antigos políticos que estão tendo as portas abertas para dar uma pequena contribuição para melhorar a política.

Para Sérgio Cruz, “as mídias sociais e a própria imprensa têm ampliado a visão da população sobre o sistema. Não sou contra o que o político ganha, mas, hoje é 10 vezes mais do que era no meu tempo e ainda não é suficiente para atender, porque como disse anteriormente, cada um monta uma própria empresa. Hoje o político é como uma dupla sertaneja que cria uma estrutura muito grande para garantir o espetáculo”.

Pré-candidato a deputado estadual pelo PDT ao lado do pré-candidato a governador, o ex-juiz Odilon de Oliveira, o “Pau na Mula” confirma a candidatura de Odilon na convenção partidária marcada para 21 deste mês.

Sérgio Cruz diz que quer percorrer o interior, sem deixar as prioridades antigas de lado, buscando mais informações e observando as necessidades do Estado. A saúde e a segurança pública precisam de atenção. “Estas são as duas grandes reivindicações da população” diz admitindo que a educação tem sido bem assistida no Estado.
Finalizando, Sérgio Cruz diz que “na Assembleia Legislativa, sem fazer críticas aos parlamentares, eu quero ampliar mais o foco das reivindicações. Nós que fazemos rádio temos uma visão mais ampliada as necessidades de cada uma das regiões do nosso Estado e vamos nos valer desse conhecimento para melhor desenvolver o nosso mandato parlamentar a partir do próximo ano” conclui.