Com iluminação irreverente, espetáculo estréia amanhã na Capital

“Ensaio Sobre a Lua” será apresentado nos dias 18, 19, 20 e 21, às 20h,  na sede do Circo do Mato

(Foto: Sátiro Art Fotografia)

Do mesmo modo que certos astros se mostram no céu apenas “ao apagar das luzes”, assim é a Dramaturgia da Imagem desenvolvida a partir de lanternas e artefatos de LEDs, na nova peça “Ensaio Sobre a Lua”, do Núcleo Artístico Jair Damasceno. Com classificação a partir de 15 anos, o espetáculo será apresentado nos dias 18, 19, 20 e 21 de julho, na sede do Circo do Mato, em Campo Grande.

Na peça a iluminação, que dispensa energia elétrica, está inserida no que o diretor Jair Damasceno define por Dramaturgia da Imagem. “Costumo dizer que é menos iluminação, no conceito técnico convencional, é mais ‘efeito de luz’, ou seja, essa luminosidade gera sombras, encobre detalhes que não são essenciais, permitindo ao público usar mais a imaginação, a percepção”, observa o artista.

A pesquisa com a luz tem sido desenvolvida pelo artista nos últimos 9 anos. Um elemento cênico que, inclusive, tornou-se uma das assinaturas de Damasceno dentro dos seus três trabalhos de teatro mais recentes: “Calaboca! e Grita” (2010/2012), “Quem te Pariu (2014) e “Salomé” (2016/2018)”.

Contemplado com recurso do Programa de Fomento ao Teatro (Fomteatro 2018), oriundo da Prefeitura de Campo Grande por meio da Sectur (Secretaria Municipal de Cultura e Turismo), o espetáculo “Ensaio Sobre a Lua”, possui uma narrativa não linear.

O elenco de “Ensaio Sobre a Lua” é formado pelos atores Yan Gabriel, Nathália Andrade e o próprio diretor da peça, Jair Damasceno. A sonoplastia é executada ao vivo por Ewerton Goulart e a operação da luz está a cargo de Lana Figueiró, Yuri Tavares e Léo Reinalt.

A peça é a compilação de textos autorais do elenco com o de artistas já consagrados nas artes (Matéi Visniec, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Thomas Bernhard e Fernando Pessoa), que leva o público a imersão nas inquietações humanas a partir da Lua. Ela que apesar de ser a companheira mais próxima do nosso planeta ainda desperta a curiosidade e esconde muitos segredos.

“Quero que o público veja menos e sinta mais. É possível que pelo costume à iluminação convencional, reveladora, muitos estranhem a intenção que o meu trabalho apresenta, principalmente para quem ainda não viu nada do Núcleo Artístico Jair Damasceno”, garante.

E, para aqueles que já conhecem a linha de trabalho do diretor também será possível se surpreender com os recursos em cena. O uso da metalinguagem através do metateatro – o teatro falando sobre o próprio teatro, e novos experimentos com as luzes de LEDs são alguns deles.

Todas essas linguagens reunidas trazem um efeito que, no palco, prioriza certo minimalismo cênico no qual todo o sentido da trama é gerado pelo espectador. “Quando digo Dramaturgia da Imagem, significa que o público deve olhar por trás da luz e tentar compor com os elementos dramáticos e psicológicos da cena”, finaliza Jair.

Serviço: O Circo do Mato fica na rua Tonico de Carvalho, 263, Amambaí.

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