Diretrizes para procedimento no parto domiciliar será estabelecida até janeiro

Cumprindo seu papel de informar e conscientizar, a Audiência Pública – Parto Domiciliar: riscos e benefícios reuniu autoridades da área, doulas, mães e gestantes para formular um protocolo definindo critérios sobre o que é preciso para a melhor assistência na hora do nascimento. O presidente da Comissão de saúde, vereador Dr. Lívio, junto com diversos profissionais da área como a presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia de Mato Grosso do Sul (Sogomatsul), Vanessa Chaves Miranda.

Para Lívio falar sobre parto domiciliar é jogar luz sobre o assunto e dar resoluções. Ao fim da audiência ficou estabelecido a criação de um grupo de estudos que, com compromisso, vão estabelecer e delinear o que é necessário para o bem-estar nos envolvidos no parto.

“O objetivo da audiência foi tornar tudo plural e ouvir todos os atores deste cenário. Compomos o interesse de diversas categorias com diversos aspectos. Compomos com todos. Estou propondo um grupo de trabalho com todas as entidades envolvidas, com o gestor municipal e com a Secretaria Municipal da Saúde para até o fim do ano criarmos um protocolo para o trinômio feto, mãe e pai”, avaliou Lívio que finalizou dizendo que nas falas foi unânime a necessidade de criar boas práticas, gerar informação, reforçar a escolha das gestantes, a responsabilidade dos envolvidos, a cooperação do fluxo de atendimento de uma equipe treinada e um plano “b” caso o baixo risco vire alto risco.

Envolvidos

Thaís Dominato, defensora pública e coordenadora da nuclear de defesa da mulher em situação de violência de gênero, reforçou o protagonismo da mulher na escolha. “Ainda hoje ouvimos traumas. Ouvimos muitos relatos de várias violências. Estamos avançando com esta audiência. O que a gente busca na Defensoria é garantir o protagonismo e o poder de decisão da mulher. É um binômio não é só a mulher, não é só o feto, são os dois. É direito desde a década de 1990. Todos os profissionais de saúde estão sujeitos a cumprir este direito da mulher e muitas vezes não vemos acontecer. Lembrando que Escolha, só é escolha, se for consciente. A mulher está escolhendo como? Ela está sabendo os riscos e os benefícios verdadeiros? Ela tem um plano? É isso que temos que pensar também. Que o parto não seja uma falta de escolha”, avaliou.

Para a Dra. Vanessa Chaves Miranda, Vanessa Chaves Miranda, não há dados o assunto, então ela baseou a fala dela na Holanda e na Inglaterra já que o Brasil não disponibiliza dados sobre o parto domiciliar é preciso estar atento. “Nós temos que ter consciência. Precisamos começar a conversar, ouvir as necessidade e saber os custos e benefícios para sabermos o melhor local para fazer o parto com segurança seja hospitalar ou domiciliar”, pontuou.

A doula, Erika Bender. Doula, está grávida do segundo filho e conta sobre o parto natural. “Em Florianópolis, tive meu primeiro filho. Foi em 2016. Por lá busquei o que tinha a minha disposição. O melhor lugar seria em domicílio. Foi emocionante. Aqui, para este bebê, também quero aconchego e amor com o direito de escolha assistido por uma equipe capacitada”.

Participando da audiência, Paula Lemos, relatou a própria experiência e questionou ao final da fala. “Fui a segunda a me deslocar até Sidrolândia, em 2017, para ter parto natural. Procurei uma doula e ela disse que aqui não tinha estrutura. Fui atrás de alternativas. Me planejei e vi as opções. Aqui eu poderia ser atendida na loteria do plantão sem qualquer garantia. E lá foi maravilhoso. Quero saber por que Campo Grande-MS não possui uma estrutura como a de Sidrolândia?”

Dr Ricardo Gomes, médico ginecologista e obstetra do Hospital Universitário (HU) respondeu. “Não temos ainda por falta de verba. Há quatro anos estamos tentando, mas não temos verba. O Centro de Parto Normal custava em 2017, 750 mil reais. Hoje deve ser 1 milhão”. Antes, o doutor também opinou sobre os partos.

“No Brasil Temos o parto normal a qualquer custo e a cesariana independente do que seja. No Brasil tem epidemia da cesariana. O melhor que temos em tecnologia é deixar entrar em trabalho de parto. Porque não deixar o bebê também dar sua opinião? Temos dois pacientes não podemos olhar só o que a mãe está falando. Mas temos que criar mecanismos para entender o que o bebê está falando”

Já o doutor Péricles Duarte Gonçalvez, representando a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS) se posicionou. “Sou militante dos direitos humanos. Tenho que lutar pelo direito de escolha. O comportamento legislativo do Brasil vem se demonstrando diferente de outros países proibindo o médico de estar no parto domiciliar. É um direito. Então primeiro impediu o médico de dar suporte. Depois proibiu a intervenção de parteira, enfermeira obstetrícia e a doula. Depois de 1930 se institucionalizou o parto. Isso afeta diretamente as mulheres pobres. Todas precisam ter autonomia para decidir entre cesariana e parto domiciliar. A mulher passa a ser um objeto. Enquanto OAB o único posicionamento é pela escolha da mulher, é pelo parto domiciliar, porque é segura sim levando em consideração que tanto hospitalar quanto domiciliar ocorrem fatalidades”, analisou.

Enfermeira Karine Gomes Jarcem, representando a Associação Brasileira de Obstetrícia e Enfermeiros Obstetras (Abenfo/MS) disse que há muita dificuldade de trabalhar de forma íntegra em Campo Grande. “Já em Dourados 90% dos partos com baixo risco são feitos por enfermeiras obstetrícia”, informou.

Vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS), Leonildo Perandré disse que qué é médico obstetra há 30 anos na Santa Casa. “Já peguei casos complicados que não evolui no parto domiciliar. Se é de alto risco é feito a cesária. É preciso levar em conta todos os detalhes. Dentro do ambiente hospitalar é onde tem mais respaldo. Algumas situações minutos fazem a diferença entre a vida e a morte, entre seqüelas e vida saudável”.

A Doutora Cláudia Lang, diretora Técnica da Maternidade Cândido Mariano, disse que a entidade faz em média de 700 partos por mês. “Nossos indicadores mostram que temos um ambiente seguro e temos evitado ao máximo o parto vertical só em situações emergência. É mais dolorido pra mãe”, explicou.

Defendendo o hospital, Dr. Willian Lemos Jr, médico ginecologista e obstetra representando a Santa Casa de Campo Grande/MS, fez diversos questionamentos e esclareceu. “Quero falar de mim. Meu filho nasceu sem medicamentos e sem intervenções. Espero que minha filha venha do mesmo jeito. Quem defende um tipo de parto olha torto para o outro. Isso ajuda quem? O parto domiciliar é para baixo risco. Dá Conforto e amor, mas todos os partos podem ser feitos no hospital. Há alguns anos oferecemos todos os benefícios para as gestantes. Há 1 ano  reduzimos de 70 para 45 por cento as cesariana. Só não conseguimos mais porque as mulheres querem sim cesariana. Eu luto para convencê-las que o parto normal é possível”, relatou e finalizou:

“A realidade que vivo é de ameaças para que aconteça uma cesariana. O problema é que o parto no hospital é encarado como inseguro e intervencionista. Ele já foi mas já não é mais. Estamos aqui para definir e orientar para ver um plano B e uma rota estabelecida.  O inesperado pode acontecer. O perigo não certa no parto domiciliar mas nós maus profissionais”.

Para a coordenadora do Samu, a Dr.  Maithê Vendas Galhardo, não há espaço para bandeiras radicais. “Nossa bandeira é uma mãe e um feto saudáveis. A vontade da mãe deve ser considerada e do bebê também. Já estive presente em partos que deram e não deram certo. É preciso que a mãe tenha ciência de tudo que vai acontecer e o profissional experiente saiba até onde ir. Não é conteúdo é até onde ir antes de chamar ajuda. A gente vê condições onde existem muita perfumaria. Precisa de um mínimo de segurança.  Vocês não tem ideia do impacto para a nossa equipe – considerada casca grossa –  perder um bebê”, finalizou.

Também estiveram presentes na Audiência Dr Carlos Aguni e representantes da Secretaria Municipal de Saúde, além dos membros da Comissão de saúde, vereadores enfermeira Cida Amaral e Dr Sami.

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