Geral

Com peças exclusivas, artesanatos feitos em presídios são opções de presentes para o Natal

Em torno 600 peças artesanais confeccionadas em estabelecimentos penais da Capital estão expostas para a venda na Feira Artesão Livre – Especial de Natal, que acontece no Fórum de Campo Grande. Em sua 7ª edição, a exposição traz itens exclusivos, de qualidade e com preços acessíveis, podendo representar uma interessante opção de presentes.

Tapetes, móveis, esculturas, quadros, bandejas, pinturas em tela, brinquedos, enfeites diversos, entre outros itens, ficarão disponíveis para a comercialização no saguão do prédio, no piso térreo, até esta quinta-feira (7.12), das 12h às 18h. Lá são aceitos cartões de débito e crédito. A renda das vendas será revertida para os próprios detentos e familiares.

Organizada pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), em conjunto com Ministério Público Estadual, a ação conta com o apoio do Poder Judiciário e Conselho da Comunidade de Campo Grande.

A advogada Grisieli Coelho aproveitou a oportunidade para adquirir alguns produtos. Ela levou para casa duas sacolas com artesanatos em madeira, tapete, entre outros. “São peças ótimas, inclusive o tapete que eu comprei olhei ponto por ponto e está muito bem feito”, garante. “Além de adquirir materiais de qualidade, a gente ajuda essas pessoas que estão se capacitando. Isso sim é exemplo de ressocialização”, comenta.

Os artesanatos são resultado do trabalho de 250 reeducandos do Instituto Penal de Campo Grande, Presídio de Segurança Máxima, Centro de Triagem, Presídio de Trânsito, Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi e, pela primeira vez, do Estabelecimento Penal Feminino de Regimes Semiaberto e Aberto da Capital.

Segundo a chefe da Divisão de Trabalho da Agepen, Elaine Cecci, o artesanato contribui para a disciplina e para desenvolver o sentido de labor licito entre os custodiados. “É uma maneira de ganhar o seu sustento, tanto dentro das unidades quanto depois do cárcere. Esses artesãos têm a consciência de uma atividade que pode trazer algum tipo de ganho”, argumenta.

Conforme ela, o artesanato é apenas uma das frentes de trabalho desenvolvidas nas unidades penais de Mato Grosso do Sul, já que atualmente são 160 empresas cadastradas pela Agepen que empregam mão de obra prisional em diversas áreas.

Uma das responsáveis pela organização do evento, a promotora de Justiça, Renata Ruth Goya, ressalta que a feira é uma oportunidade para enaltecer o trabalho que é feito pelos internos e demonstrá-los à sociedade. A promotora destaca, ainda, que a atividade é reconhecida oficialmente como profissão e que os internos que a desenvolvem têm o direito de receber a carteira de artesão e poderão exercê-la quando estiverem em liberdade. “É uma forma ressocialização pelo trabalho”, enfatiza.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, já consolidada, a iniciativa é uma demonstração do trabalho conjunto de sucesso que vem sendo realizado em parceria com o Ministério Público, Judiciário e Conselho da Comunidade. “A cada ano, a feira se torna ainda mais bonita e isso também é uma forma de produzir algo que possa facilitar o sustento de suas famílias”, declara, ressaltando também o empenho dos servidores penitenciários para que os trabalhos se tornem possíveis.

A abertura oficial da Feira Artesão Livre – Especial de Natal aconteceu nessa terça-feira (5.12) e contou também com a presença do juiz da 2ª Vara de Execução Penal, Mário José Esbalqueiro; da presidente do Conselho da Comunidade, promotora de justiça Regina Dornte Brock, e do prefeito de Jateí, Eraldo Jorge Leite; além de diretores da Agepen e de unidades penais, entre outros.