O cultivo da terra aliado à ocupação prisional produtiva, que reflete diretamente em reforço alimentar para a população mais carente. Assim está sendo a horta orgânica implantada no Estabelecimento Penal Masculino de Regimes Semiaberto e Aberto de Dourados, no Sul do Estado.

Conforme dados do presídio, em apenas cinco meses, já foram destinados cerca de 1.200 kg de de verduras e legumes do local ao Banco de Alimentos do Município, que atende a instituições filantrópicas e famílias em situação de vulnerabilidade da cidade.

O trabalho faz parte de um convênio entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Prefeitura Municipal de Dourados, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Semafes), que ofereceu capacitação técnica aos custodiados, bem como o acompanhamento especializado de profissionais da área.

A elaboração do projeto da horta orgânica foi realizada pelo diretor do presídio, José Nicácio do Nascimento, e pela a assistente social da Agepen, Gislaine de Souza Fonseca Schveiger, com a colaboração dos engenheiros agrônomos Rodrigo Alves Cordeiro e José Joaquim de Souza, e o tecnólogo em agronomia Marcus Vinícius Figueiredo Neias Almeida.

Na horta orgânica do semiaberto de Dourados são cultivados 20 tipos de verduras e legumes, entre eles couve, pepino, beterraba alface, almeirão, brócolis, cebolinha, coentro, rúcula, etc. Segundo o diretor do estabelecimento penal, no total foram repassadas mais de 200 caixas de hortaliças.

Doutor em Biologia, o dirigente aponta que o aprendizado oferecido através desse projeto beneficia o apenado durante o cumprimento de pena e também no futuro, com a possibilidade de utilizar os ensinamentos na economia familiar e profissionalmente depois que deixar o sistema prisional. “Além de propiciar ocupação lícita, as atividades aumentam a consciência ambiental dos detentos”, argumenta.

Para o coordenador do Banco Municipal de Alimentos, Enio Fernandes, essa medida traz inovação fundamental, já que a instituição se mantém apenas com as doações das sobras de feiras livres da cidade. “Por meio da parceria, agora oferecemos também verduras orgânicas e frescas”, destacou o coordenador.

O diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, destaca que o cultivo de hortaliças em presídios do Estado proporciona ocupação lícita e tem ampliado o contato com a sociedade. “Os trabalhos desenvolvidos com a mão de obra carcerária tem beneficiado diversos ramos sociais e isso acrescenta na formação do caráter dos custodiados, além de incentivar a mudança de valores e comportamentos”, afirma o dirigente.

De acordo com o Banco de Alimentos, oito instituições de Dourados já foram contempladas com doações de verduras do estabelecimento prisional: Centro de Referência de Assistência Social, Casa Criança Feliz Dourados, Lar Ebenezer, Toca de Assis,  Centro de Integração do Adolescente e Associação Douradense de Deficientes Físicos, além dos acampamentos para sem teto Ouro Fino e Vitória.