No Senado, Glenn diz que Moro tenta criar clima que ameaça imprensa livre

Glenn Greenwald, jornalista e um dos fundadores do site Intercept Brasil, afirmou nesta quinta-feira (11), que o ministro da Justiça, Sergio Moro, ameaça a imprensa livre com possíveis investigações sobre os jornalistas envolvidos nos vazamentos de diálogos do ex-juiz e do procurador da república Deltan Dallagnol. Greenwald disse ainda que o ministro nunca negou a existência de tais investigações.
O jornalista presta esclarecimentos sobre reportagens envolvendo a Lava Jato em reunião extraordinária da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado Federal.
“O clima que o ministro da justiça está tentando criar acho que isso é uma ameaça à imprensa livre, ele está tentando fazer isso de propósito para assustar a gente… Não vai funcionar, mas é uma ameaça muito grave”, disse em sua declaração inicial.

Gleen Greenwald disse que não se assustará com as “ameaças” e seguirá a publicar conteúdos sobre as conversas que tiveram acesso.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) respondeu a um ofício do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre uma possível investigação a respeito das movimentações financeiras do jornalista, mas não deixou claro se esta está ou não de fato acontecendo.

“Ele [Moro] nunca negou naquele dia quando a notícia saiu até hoje essa investigação. Então eu acho que isso mostra a mentalidade do ministro Moro, que, pelo menos, ele quer que nós fiquemos com medo que nós estamos sendo investigados”, explicou.

Greenwald afirmou não ter indícios de que esteja, de fato, sendo investigado, mas que não teme que isso aconteça. Sobre o Coaf, disse que a resposta foi “evasiva e totalmente vaga” e que “também eles não negaram”.

O convidado lamentou ainda o baixo quórum da reunião destinada a ouvi-lo, principalmente os ligados ao governo, que segundo ele, têm feito acusações falsas a seu respeito. 17 senadores estavam presentes às 11h44, a CCJ do Senado é composta por 27 congressistas.

Às 13:17, o quórum da audiência pública era de 19 senadores.

Desde então, os envolvidos foram convidados a comparecerem ao Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre o vazamento dos diálogos. Moro foi à Câmara, Greenwald também. Dallagnol recusou o convite.

AUTENTICIDADE DAS CONVERSAS

Perguntado por senadores sobre as garantias de que o conteúdo publicado pelo Intercept, Greenwald voltou a garantir que as conversas são reais e passaram por peritos da própria empresa. Ele também argumentou que o ministro Moro nunca negou as notícias que foram divulgadas.

“O ministro Moro nunca negou nenhuma publicação que nós publicamos até agora…e ele nunca vai. Por quê ele nunca vai? Porque ele sabe que ele não consegue negar que esse material é autêntico”, disse.

Ele segue, afirmando que há procuradores contrários aos comentários de que as mensagens seriam falsas: “Ele (Moro) sabe que tem procuradores dentro do ministério público que estão indignados com as táticas que ele e Deltan estão usando para enganar o público usando insinuações de que esse material não é autêntico”.

Com informações Uol

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