Quatro mil notas fiscais e cinco acordos de regime especial para análise da Comissão Parlamentar de Inquérito constituída para investigar as denúncias feitas por diretores da JBS, temendo que as informações pudessem vazar, o que não pode em nenhuma hipótese acontecer devido a sigilo fiscal, o deputado estadual e presidente da CPI da JBS, Paulo Corrêa (PR), assegurou que todos os cuidados foram tomados para evitar que não haja fraude.

Três profissionais altamente experientes, qualificados, segundo o parlamentar do DEM, estão fazendo verdadeiro ‘pente fino’ em todas as notas encaminhadas para análise da CPI, explicando que o volume de dinheiro movimentado por conta dos convênios ultrapassa a 1 bilhão de reais.

O Estado, de acordo o presidente da CPI, concedeu incentivos da ordem de R$ 300 milhões para seis ou sete empresas desse grupo que, prosseguiu, causou prejuízo considerável para a economia sul-mato-grossense ao fazer denúncia até o presente momento desprovida de veracidade.

Ao ser entrevistado pelo jornalista Eli Sousa, do Grupo Impacto de Comunicação, o presidente da CPI destacou que os frigoríficos que antes abatiam 65% do gado sul-mato-grossense atualmente não abate mais do que 45%.

Paulo Corrêa fez questão de frisar sobre a origem do grupo que surgiu e se fortaleceu com dinheiro de todos os brasileiros. Ainda conforme o parlamentar, o dinheiro tomado aqui foi levado para fora do país ajudando a transformá-lo no maior produtor de proteína animal do mundo.

Corrêa atribui essa estratégia de crescimento do JBS aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff.

Na sequencia, por conta das denúncias contra o grupo, a JBS veio a público acusar três governadores de Mato Grosso do Sul (José Orcírio Miranda dos Santos-Zeca do PT, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja) de cobrança de propina para que o grupo pudesse investir em seis frigoríficos. A partir daí começo o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito constituída pela Assembleia Legislativa para apurar a veracidade da denúncia.

Joesley Batista chegou a gravar conversa que teve com o presidente da República, Michel Temer, para tirar proveito de um acordo que está sendo muito questionado. Ele ainda denunciou que pagou propina para 1,8 mil políticos de todo o país. “Se efetivamente ele comprou esse número enorme de políticos, Joesley é líder de uma organização criminosa que não poderia estar em liberdade”, criticou Paulo Corrêa.

“Agora nós queremos saber se ele prometeu ampliar o frigorífico localizado na saída para Sidrolândia, quais foram as notas que ele colocou e se o material que comprou está lá dentro”, arguiu o deputado, explicando que esse é o papel do legislativo sul-mato-grossense.

Dentre as várias interpretações, Corrêa destaca que todas as notas fiscais serão checadas e que se for descoberta irregularidade, será solicitada a quebra de sigilo das notas.

Enquanto presidente da CPI, que conta com a participação dos deputados Eduardo Rocha (vice-presidente), Flávio Kayatt (relator), Paulo Siufi e Pedro Kemp, Corrêa arguiu que se for detectada que houve prejuízo para o Estado, cessa o regime especial com a consequente devolução do dinheiro para os cofres do tesouro estadual.

“A partir do momento em que a empresa deixa de ser confiável para o Estado, o primeiro passo consiste exatamente na suspensão do regime especial”, explicou o presidente da CPI, enfatizando que as medidas amargas serão determinadas se o JBS não cumpriu com suas obrigações.

“Nós estamos investigando e vamos constituir provas”, assegurou o parlamentar, deixando bem claro que a Assembleia Legislativa não exerce papel de polícia. O direito defesa será resguardado a JBS, o mesmo acontecendo com dois ex-governadores e com o governador atual.

“Se a denúncia contra o governador Reinaldo ficar comprovada, ou seja, se ele (Reinaldo) de fato recebeu R$ 10 milhões de maneira ilícita, a CPI não vai agir como avestruz”, assegurou o deputando, acrescentando que muito dificilmente o governador teria condições de continuar no cargo.