Política

CPI do Táxi cumpre seu papel e MP terá material extenso para agir

“O que sabemos do táxi hoje é totalmente diferente do que sabíamos no começo da CPI. Hoje sabemos de tudo, descobrimos tudo, só não nos cabe fazer o papel do Ministério Público”. A declaração foi feita pelo presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Táxi, vereador Vinicius Siqueira (DEM) durante leitura de relatório final apresentado na tarde desta quarta-feira (20) na Câmara Municipal de Campo Grande.

De acordo com o relatório apresentado foram encontradas irregularidades em todos os quase mil alvarás de táxi e mototáxi da Capital. Além disso, apesar de não ser ilegal, a Comissão constatou ainda que, de fato, a maioria das permissões está nas mãos de determinados grupos familiares.

“Alguns dos detentores de alvarás ouvidos durante as oitivas chegaram a admitir que jamais teriam dirigido o veículo enquanto taxista, mas possuem o alvará que é terceirizado por auxiliares”, afirmou o vereador.

Durante oito meses de trabalho investigativo, foram ouvidas 35 pessoas em sete sessões de oitivas, o que resultou em um extenso relatório com 78 páginas. Representantes da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) encontraram grande dificuldade em encaminhar a documentação solicitada pela Comissão devido à falta de organização no espaço em que se encontravam as permissões. De acordo com Siqueira ”em alguns dos casos o permissionário não deixou sequer cópia de documento de habilitação”, afirmou.

“Foi um relatório bastante impactante e vou contar algo, um relato de bastidores. Às vezes, as reuniões foram de muita tensão. O tema é ácido para a cidade, todos têm receio de enfrentar certos assuntos e nós nos preocupávamos com a situação. Inclusive com a nossa. Era uma pressão muito grande, mas a CPI nunca cogitou recuar ou deixar de fazer seu trabalho. Todos os membros trabalharam unidos e foi um grande marco para a cidade. Essa Casa teve poucas CPI´s e nós fechamos essa com chave de ouro”, revelou o presidente.

O documento foi aprovado pela Comissão e amanhã será apresentado em plenário e logo depois, encaminhado ao Ministério Público Estadual, à Agetran e ao Executivo Municipal. Entre as proposições feitas em relatório, está a de que a Prefeitura coloque em ordem a documentação e que coloque os alvarás para serem melhor cuidados. “Antes ficava tudo jogado em caixas e agora pedimos que olhem com mais carinho pra isso tudo, até para fortalecer o serviço e favorecer a concorrência com os aplicativos para o bem da população”, finalizou.

“Essa CPI é um pouco a cara dessa Câmara, que veio de uma renovação muito grande. A população depositou seus votos aqui para houvesse renovação, qualidade, coragem, eficiência. E essa Casa tem mexido em assuntos que estavam pra baixo do tapete há muitos anos. Queremos colocar Campo Grande em pratos limpos”, concluiu.

Também fizeram parte da Comissão o relator, Odilon de Oliveira Junior (PDT) e os vereadores Pastor Jeremias (Avante), Júnior Longo (PSDB) e Veterinário Francisco (PSD).